Diabetes e alimentação: a importância do cuidado individualizado.
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Diabetes tipo 1, tipo 2 e gestacional pedem cuidados diferentes. Entenda como a alimentação e os ativos estudados entram nessa conversa.

“O que eu posso comer agora?” Essa é a grande dúvida que surge quando o diabetes é diagnosticado. E ela faz todo sentido. Afinal, a alimentação é parte essencial da rotina e sabemos que ela tem um peso importante no cuidado de quem vive com essa doença.

Vale lembrar que diabetes não é uma condição única. Há tipos diferentes, com mecanismos e tratamentos específicos. Por isso, as condutas alimentares devem ser individualizadas, considerando as particularidades de cada pessoa.  

Neste artigo, vamos abordar as principais diferenças entre os tipos de diabetes, explorar o papel da alimentação no manejo dessa doença, esclarecer algumas dúvidas comuns e destacar o que a ciência têm pesquisado sobre o potencial benéfico de nutrientes e ativos específicos no cuidado do diabetes. 

Leia até o final aprenda mais sobre esse importante tema de saúde. 

O que você vai ler neste artigo:

  • Diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 e diabetes gestacional: o que muda
  • Existem alimentos proibidos automaticamente para quem tem diabetes?
  • Carboidratos: é necessário mesmo cortar tudo?
  • Carboidrato não é tudo igual 
  • Índice glicêmico e carga glicêmica: entenda a diferença
  • Consumo de proteínas no diabetes
  • Suplementação e diabetes: nutrientes e ativos mais estudados
  • Nutrição e diabetes: três dicas para a vida real
  • Conclusão 
  • FAQ – Perguntas frequentes sobre alimentação e diabetes

Diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 e diabetes gestacional: o que muda.

Afinal, qual a diferença entre os tipos de diabetes? 

No diabetes tipo 1, o sistema imunológico costuma destruir as células do pâncreas que produzem insulina. Com isso, a pessoa tem um deficiência de insulina importante e o tratamento geralmente exige insulinoterapia desde o diagnóstico ou pouco tempo depois. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o diabetes tipo 1 pode aparecer em qualquer idade, não apenas na infância e adolescência, como apontam as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes.

No diabetes tipo 2, o organismo costuma responder menos à insulina, e sua produção também pode ser insuficiente. É o tipo mais comum, e o cuidado pode envolver diferentes estratégias, dependendo da resposta de cada pessoa. 

Já o diabetes gestacional é identificado durante a gravidez e requer acompanhamento próprio para a fase da gestação. 

Embora sejam os mais frequentes, esses não são os únicos tipos de diabetes. Existem outros, mais específicos, que podem estar relacionados a alterações genéticas, doenças ou cirurgias do pâncreas e determinados medicamentos, como os glicocorticóides. Um exemplo é o LADA, uma forma autoimune que começa na vida adulta e pode evoluir lentamente, às vezes parecendo diabetes tipo 2.

Essas diferenças importam para a alimentação. Por exemplo, a quantidade e o horário de consumo de carboidratos podem precisar de atenção especial para quem usa insulina. Entre outras variações. 

Existem alimentos proibidos automaticamente para quem tem diabetes?

Quando se fala em alimentação no diabetes, rapidamente a conversa costuma escorregar para uma lista de alimentos proibidos: arroz, feijão, frutas, leite, mandioca, pães… Esses alimentos, porém, não precisam ser excluídos definitivamente por causa do diagnóstico. O cuidado nutricional precisa ser estratégico, considerando escolhas que se encaixam no tratamento e na vida de cada um.

Duas pessoas com o mesmo tipo de diabetes podem ter rotina, preferências, exames, uso de medicamentos e objetivos diferentes. Um plano nutricional personalizado considera tudo isso. Uma lista de certo e errado, além de insuficiente, pode ser frustrante e pouco sustentável. 

Carboidratos: é necessário mesmo cortar tudo?

A resposta mais coerente com o que mostra a ciência atual é: não para todo mundo. Reduzir a quantidade de carboidratos pode ser uma estratégia interessante para algumas pessoas adultas com diabetes do tipo 2, mas as pesquisas não apontam um limite que sirva para todo mundo. 

Uma revisão de 2018 observou que dietas com menos de 130 gramas de carboidratos por dia pareciam possíveis de manter em parte dos estudos. Já uma revisão de 2022 encontrou uma diferença modesta na hemoglobina glicada, exame usado para acompanhar a glicose ao longo do tempo, quando comparou dietas com baixo teor de carboidratos e dietas com baixo teor de gordura. 

Antes de fazer qualquer mudança importante na alimentação, é essencial que a pessoa com diabetes converse com a equipe de saúde que acompanha seu tratamento. Especialmente, quanto alimentação e medicação precisam caminhar juntas. 

Carboidrato não é tudo igual 

Também é um erro tratar todos os alimentos fontes de carboidratos da mesma forma. Exemplos práticos nos ajudam a entender isso: em 100 g de arroz branco cozido, há aproximadamente 28 g de carboidratos; na mesma quantidade de batata inglesa cozida, cerca de 12 g. Já 100 g de mamão papaia fornecem aproximadamente 10 g de carboidratos. 

Essa comparação por peso não define qual alimento é “melhor” ou “pior” para quem tem diabetes, ela apenas ajuda a visualizar as diferenças entre eles nesse quesito.

Ou seja, dentro de um plano nutricional individualizado, alguns alimentos fontes de carboidratos podem ser priorizados em relação a outros, dependendo do momento e das necessidades. 

Índice glicêmico e carga glicêmica: entenda a diferença

Quando se fala em alimentos que “podem” ou “não podem” no diabetes, o índice glicêmico costuma entrar na conversa como vilão. Para compreender se isso faz ou não sentido, é importante entender a diferença entre índice glicêmico (IG) e carga glicêmica (CG).

  • índice glicêmico (IG): compara a resposta da glicemia após o consumo de uma quantidade padronizada de carboidrato de um alimento com a de um alimento de referência. 
  • carga glicêmica (CG): também leva em conta quanto carboidrato disponível há na porção consumida. 

Isso significa que um alimento com IG mais alto, quando consumido em pequena porção, pode ter uma CG menor do que quando consumido em uma porção maior.

É importante pensar que uma refeição é diferente de um alimento isolado. A quantidade, o cozimento, o processamento e a combinação com proteínas, gorduras e fibras também influenciam a digestão, a absorção e a resposta glicêmica de um alimento fonte de carboidratos. 

Por exemplo, comer uma fruta sozinha pode produzir uma resposta diferente da mesma fruta em uma refeição com iogurte natural, sementes e farelo de aveia. Lembrando que essa combinação é apenas um exemplo de como a resposta glicêmica pode ser modulada, não uma garantia de picos menores para todas as pessoas. A resposta individual continua importando.

Consumo de proteínas no diabetes

Quando o tema é diabetes, tanto se fala em açúcares e carboidratos que um nutriente relevante acaba ficando meio esquecido: a proteína.

O músculo esquelético é um dos principais tecidos responsáveis por captar a glicose estimulada pela insulina. Durante a contração muscular, também ocorre aumento da translocação do transportador GLUT-4 para a membrana celular, o que permite maior entrada de glicose no músculo por mecanismos que não dependem exclusivamente da insulina.

Uma vez que uma ingestão adequada de proteínas contribui para a manutenção e recuperação de massa muscular, ela se torna relevante em uma estratégia ampla de cuidados nutricionais para quem vive com diabetes. 

O papel da proteína pode ser ainda mais importante em pessoas idosas, sedentárias ou que estão passando por processos de redução de peso, casos em que há uma tendência de perda muscular. Nesses casos, a suplementação proteica pode oferecer uma contribuição relevante do ponto de vista da qualidade e conveniência. 

Se movimentar após a refeição, isso ajuda?

Algumas pesquisas observaram uma menor elevação da glicose com a prática de atividade física após a refeição. Então, todo mundo que tem diabetes tem que se mexer depois de comer? 

Os resultados desses estudos não definem um horário ideal de exercícios para todas as pessoas com diabetes, mas mostra como o movimento pode fazer parte do cuidado, junto com escolhas que respeitem as condições e a rotina de cada indivíduo. Se uma caminhada depois de comer combina com seu dia, converse com a equipe médica que acompanha você sobre essa possibilidade. 

Suplementação e diabetes: nutrientes e ativos mais estudados

Considerando que a alimentação é um aspecto sensível no diabetes, é correto pensar também em como a suplementação pode atuar nesse contexto. Alguns nutrientes e ativos vêm sendo estudados de modo especial quanto aos seus potenciais benefícios para o diabetes. Vejamos quais são eles:

Magnésio

O magnésio participa da sinalização da insulina no seu receptor, além de atuar como cofator de enzimas envolvidas na glicólise e em outras etapas do metabolismo energético. Pessoas com diabetes tipo 2 podem ter concentrações reduzidas de magnésio, especialmente quando existe aumento da perda urinária desse mineral.  

Uma meta-análise, publicada em 2023, reuniu 24 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 1.325 pessoas com diabetes tipo 2. Encontrou reduções estatisticamente significativas na glicemia de jejum e na hemoglobina glicada.

Cromo

O cromo é um mineral envolvido em mecanismos relacionados à ação da insulina. 

Uma meta-análise publicada em 2014 avaliou 25 ensaios clínicos randomizados e encontrou redução da hemoglobina glicada e da glicemia de jejum em participantes que receberam suplementação de cromo.

Ômega 3

O ômega 3, especialmente os ácidos graxos EPA e DHA, é um composto importante na saúde cardiovascular e no metabolismo de gorduras. Pessoas com diabetes tipo 2 frequentemente apresentam alterações no perfil lipídico, como aumento de triglicerídeos, redução de HDL e maior concentração de partículas aterogênicas. 

Uma meta-análise publicada em 2018 avaliou 45 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 2.674 pessoas com diabetes tipo 2. Os pesquisadores encontraram reduções significativas nos triglicerídeos, VLDL e alguns marcadores inflamatórios, além de uma pequena melhora na hemoglobina glicada com o consumo de ômega 3. 

Whey protein

A suplementação de whey protein pode ser uma ferramenta interessante quando há dificuldades para atingir as necessidades proteicas somente pela alimentação, ou quando há uma necessidade aumentada desse nutriente. O whey protein (proteína do soro do leite) fornece aminoácidos essenciais e podem estimular a secreção de hormônios intestinais envolvidos na regulação da glicemia, como o GLP-1, e estimular a secreção de insulina. 

Uma meta-análise publicada em 2022 reuniu cinco ensaios clínicos randomizados, com 134 participantes com diabetes tipo 2. Os resultados mostraram redução da glicemia pós-prandial aos 60 e 120 minutos entre os participantes que receberam whey protein em comparação ao placebo.

Nutrição e diabetes: três dicas para a vida real

1 – Parta do tipo de diabetes de do tratamento proposto: use o diagnóstico feito como referência para conversar sobre alimentação com a equipe de saúde. Se você usa insulina, combine com os profissionais que acompanham você qualquer mudança importante na quantidade ou no horário dos carboidratos. Nunca ajuste a medicação por conta própria.

2 – Observe a refeição como um conjunto: não pense em alimentos isolados. Considere porções, preparo e combinações. Arroz, batata e frutas, por exemplo, não são automaticamente permitidos ou proibidos; a quantidade e a resposta individual também entram na conversa

3 – Faça ajustes que caibam na rotina: um diagnóstico pode exigir mudanças importantes no estilo de vida, gerando ansiedade e insegurança. Converse com sua equipe de saúde para implementar uma estratégia alimentar e de exercícios de forma gradual e possível de incluir na rotina gradativamente. 

Conclusão 

O diabetes não é uma condição única. Seus diferentes tipos, como diabetes tipo 1 e diabetes tipo 2, têm características próprias e exigem cuidados distintos. Isso vale para o tratamento como um todo, incluindo a alimentação.

O tipo da doença, o contexto de vida e as necessidades mudam de pessoa para pessoa, por isso não faz sentido pensar em uma lista única de alimentos “proibidos” e “permitidos” para quem tem diabetes. 

A conduta alimentar deve ser orientada por nutricionista ou médico, de forma individual para que os benefícios à saúde sejam mais expressivos. No que se refere à suplementação, a ciência tem estudado alguns ativos de modo especial e as evidências apontam resultados interessantes. Seu uso, no entanto, deve ser debatido com a equipe de saúde responsável pelo acompanhamento de cada paciente. 

A Cycles acredita que a ciência ganha valor quando ajuda a construir escolhas possíveis, informadas e coerentes com a vida de cada pessoa. Por isso, neste espaço, você encontra informação de qualidade para ler, aprender e compartilhar.

Até a próxima. 

FAQ – Perguntas frequentes sobre alimentação e diabetes

1. Qual é a diferença entre diabetes tipo 1 e tipo 2?

No tipo 1, há destruição geralmente autoimune das células que produzem insulina, causando deficiência importante desse hormônio. No tipo 2, o organismo costuma responder menos à insulina e a produção desse hormônio também pode ser insuficiente. A classificação e o tratamento devem ser definidos por profissionais de saúde. 

2. Diabetes tipo 1 acontece só na infância?

Não. A Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes informa que o tipo 1 pode ser diagnosticado em qualquer idade, embora seja mais frequente entre crianças e adolescentes. 

3.Toda pessoa com diabetes precisa cortar carboidratos?

Não. Reduzir carboidratos pode ser uma possibilidade para algumas pessoas com diabetes tipo 2, mas os estudos não estabelecem uma quantidade universal. 

4.Quem tem diabetes precisa deixar de comer arroz, feijão ou frutas?

O diagnóstico não transforma automaticamente esses alimentos em itens proibidos. A forma de incluí-los depende do plano alimentar individual.

5.Um suplemento pode substituir o tratamento?

Não. Os achados de pesquisa não são uma indicação individual nem motivo para suspender ou alterar medicamentos. A decisão de usar um suplemento deve ser feita com acompanhamento profissional.

7.Caminhar depois de comer é sempre melhor para quem tem diabetes?

Alguns estudos encontraram mudanças agudas na glicemia após atividade física pós-refeição, mas não definem um horário ideal para todas as pessoas.

Sobre este artigo

Este artigo foi elaborado pela equipe editorial da Cycles Nutrition. As informações têm caráter educativo e não substituem avaliação, diagnóstico ou orientação individualizada de profissionais de saúde.

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