Biodisponibilidade: a jornada dos nutrientes no corpo, da ingestão à absorção. 

Pessoas que consomem suplementos alimentares costumam prestar atenção à tabela nutricional e à lista de ingredientes. Afinal, é importante saber as quantidades dos nutrientes e também se o produto é livre de ingredientes que podem ser prejudiciais, como corantes e aromatizantes artificiais.

Mas, quando falamos de suplementação, existe outro aspecto extremamente relevante para obter bons resultados: a biodisponibilidade. Ela tem a ver com a maior ou menor capacidade que determinado nutriente tem de ser bem absorvido e aproveitado pelo nosso organismo.

A biodisponibilidade está diretamente relacionada com a qualidade e a eficiência de um suplemento, por isso, é importante entender o que ela significa.

Neste artigo, vamos explorar a diferença que existe entre simplesmente consumir um suplemento e garantir que os nutrientes cheguem onde realmente importa: nossas células. Vamos conhecer melhor a jornada da digestão e da absorção e descobrir como esse processo pode ser otimizado com as escolhas certas.

Leia até o final e aprenda a suplementar de forma segura e ainda mais eficiente!

O que você vai aprender neste artigo?

  • O que é biodisponibilidade e por que ela é importante? 
  • Intestino delgado: decisivo para o aproveitamento dos nutrientes 
  • Da ingestão à absorção: a jornada dos nutrientes no nosso corpo
  • Exemplos práticos de biodisponibilidade: forma do nutriente e interações
  • Dicas para escolher bem os suplementos e otimizar o aproveitamento dos nutrientes 
  • Conclusão: qualidade e biodisponibilidade andam juntas
  • FAQ – Perguntas frequentes sobre biodisponibilidade

O que é biodisponibilidade e por que ela é importante? 

Ao escolher um suplemento, muitas vezes focamos apenas na tabela nutricional: quantos miligramas de vitamina C, magnésio ou coenzima Q10 tem na fórmula? Qual o teor de proteína por dose? No entanto, ingerir uma substância não significa, necessariamente, que vamos absorvê-la e utilizá-la da forma mais eficiente possível no organismo. 

A biodisponibilidade representa essa diferença entre consumir e aproveitar um nutriente. Ela se refere à proporção desse nutriente que, após a ingestão, entra na circulação sistêmica e fica efetivamente disponível para exercer as suas funções biológicas. 

Isso engloba não só a absorção pelo trato gastrointestinal, mas também a forma como o nutriente é transformado, transportado, metabolizado e, finalmente, utilizado pelas células.

Na prática funciona assim: mesmo que você consuma 100 mg de um micronutriente (como uma vitamina, por exemplo) se ele tiver baixa biodisponibilidade, boa parte pode nunca chegar aos tecidos-alvo. Ele será eliminado pelo organismo sem cumprir suas funções da forma correta. Um desperdício de saúde e dinheiro.

Intestino delgado: decisivo para o aproveitamento dos nutrientes 

O processo de digestão e absorção dos alimentos, suplementos e seus nutrientes começa pela boca e passa pelo estômago, mas o intestino delgado é a grande chave do sucesso.

No ambiente intestinal, fatores como solubilidade, forma química, presença de outros compostos e até o tipo de refeição que fazemos influenciam a “rota” de um nutriente. É nessa etapa do processo que ele entra na circulação e atinge os tecidos necessários ou simplesmente deixa nosso corpo sem cumprir o seu papel.

Antes e depois desse momento, porém, outros estágios favorecem ou atrapalham a biodisponibilidade daquilo que consumimos via alimentos ou suplementos nutricionais. 

Da ingestão à absorção: a jornada dos nutrientes no nosso corpo

Vimos que nem todo nutriente que consumimos é aproveitado pelo corpo da melhor forma. Para entender melhor o porquê, temos que olhar para o caminho que eles percorrem no organismo.

Depois da ingestão de um suplemento em pó ou em cápsulas, essa jornada dos nutrientes segue, basicamente, as seguintes fases principais: 

  1. Digestão e liberação: os nutrientes precisam ser liberados da matriz do alimento ou do suplemento.
  2. Formação de micelas ou solubilização: especialmente no caso de compostos lipossolúveis (solúveis em gorduras), como vitamina D, curcuminoides e coenzima Q10, a presença de ácidos biliares e lipídios torna essa fase ainda mais relevante para o processo de absorção.
  3. Passagem pela parede intestinal: transportadores e mecanismos celulares determinam o quanto de cada nutriente consegue ultrapassar a mucosa intestinal.
  4. Metabolização hepática inicial: antes de chegar à circulação sistêmica, muitos compostos precisam passar pelo fígado, onde podem ser ativados ou inativados. 
  5. Distribuição e utilização celular: momento em que o nutriente chega às células para exercer, finalmente, seus efeitos biológicos. 

Podemos dizer que os nutrientes que chegam de forma efetiva às nossas células são “sobreviventes” de uma jornada complexa. É por causa dela que as formulações e combinações importam tanto na hora de escolher um suplemento.

Exemplos práticos de biodisponibilidade: forma do nutriente e interações

Ficou claro que a forma como um nutriente é introduzido em nosso organismo muda tudo. Especialmente quando esse nutriente ou composto é oferecido na forma de suplementos com promessas de benefícios para a saúde e bem-estar, que devem ser respeitados. 

A seguir, exemplos de nutrientes bastante conhecidos que ilustram na prática a importância de uma escolha correta para garantir a biodisponibilidade. 

Curcumina: sinergia que faz diferença

A curcumina, principal molécula bioativa da cúrcuma, é conhecida por ter uma baixa solubilidade em água e ser metabolizada muito rapidamente pelo organismo. Isso significa que, quando ingerida isoladamente, tem uma redução drástica na absorção. Porém, estudos recentes mostram que quando a curcumina é combinada com outros fitoquímicos, como o gingerol do gengibre e a piperina da pimenta-preta, ela tem um ganho significativo de absorção e biodisponibilidade.

Ou seja, ao procurar um suplemento que contenha cucumina, é interessante verificar se a fórmula combina essa molécula bioativa com ingredientes que tenham uma boa sinergia com ela, melhorando o aproveitamento. 

No Shot Ritual da Cycles, um suplemento nutricional que ajuda seu corpo a despertar com mais vitalidade, a curcumina está acompanhada de uma potente combinação de vitaminas, minerais e compostos bioativos, incluindo gengibre em pó, excelente fonte de gingerol. 

Ervas e frutas: formas que maximizam absorção de compostos bioativos

Ervas como melissa, camomila e cidreira, e frutas como acerola e jabuticaba contêm compostos bioativos importantes e devem estar presentes na rotina alimentar por conta de diversos benefícios. No entanto, seu consumo na forma natural também influencia o ambiente intestinal, a microbiota e outros fatores que modulam a absorção desses compostos. Por isso, suplementos com compostos bioativos antioxidantes isolados, extraídos das frutas e ervas naturais, pode favorecer uma absorção maximizada dessas susbtâncias. 

Isso não significa que frutas e ervas devam ser substituídas por suplementos na sua alimentação. Apenas que os suplementos aumentam a eficiência quando é necessária uma maior retenção de ativos bioativos específicos, de acordo com a necessidade de cada pessoa. 

Minerais quelados: estabilidade que favorece o aproveitamento 

As formas tradicionais dos minerais, como óxidos ou sulfatos, têm menor biodisponibilidade devido à competição por transportadores intestinais e possíveis interações com fibras e outros componentes da dieta. Já os minerais quelados (ligados) com aminoácidos, como o magnésio bisglicinato ou magnésio taurato, apresentam uma estrutura estável que facilita o transporte intestinal e reduz perdas. 

O resultado é uma absorção superior e um melhor aproveitamento pelo organismo, ou seja, os minerais na forma quelada têm mais biodisponibilidade, um benefício consistentemente demonstrado em revisões científicas. 

Coenzima Q10: por que consumir com gorduras? 

A coenzima Q10 é um composto lipossolúvel essencial para a produção de energia celular e para a função antioxidante. No entanto, a absorção da CoQ10 depende muito da formulação do suplemento e do contexto da ingestão. 

Estudos demonstram que a absorção é melhorada quando a coenzima Q10 é consumida junto com uma refeição que contenha gorduras, pois sua solubilidade e incorporação em micelas aumentam nesse contexto. Isso ocorre também com vitaminas lipossolúveis, como a vitamina E. 

Dicas para escolher bem os suplementos e otimizar o aproveitamento dos nutrientes 

  1. Preste atenção à forma dos nutrientes: antes de comprar um suplemento, preste atenção às informações do rótulo, do site de vendas ou dos materiais de divulgação dos produtos. Opte por minerais quelados, suplementos de cúrcuma combinada com gengibre e extratos concentrados de compostos bioativos. Na dúvida, consulte um nutricionista.
  2. Escolha um contexto de consumo adequado: como vimos, determinados nutrientes têm sua absorção melhorada quando consumidos junto com alimentos específicos. Gorduras saudáveis podem aumentar a absorção de nutrientes lipossolúveis, como vitamina D e coenzima Q10. Consumir estes suplementos junto com refeições que contenham esse tipo de gordura é recomendável. 
  3. Atenção às interações: enquanto alguns nutrientes favorecem a absorção de outros quando consumidos juntos, existem aqueles que podem atrapalhar. Se possível, procure um profissional habilitado, nutricionista ou médico, para uma recomendação personalizada de suplementação e alimentação. 

Conclusão: qualidade e biodisponibilidade andam juntas

A eficiência de um suplemento não está relacionada apenas à concentração de nutrientes por dose, mas a quanto desse valor o corpo consegue realmente absorver e utilizar. Chamamos de biodisponibilidade a essa capacidade de aproveitamento do nutriente pelo corpo. 

Entender o conceito de biodisponibilidade é importante para interpretar corretamente o potencial de eficácia de um suplemento, escolhendo assim as melhores formas, combinações e momentos de consumo. 

Marcas de suplementos de alta qualidade, que se baseiam em evidências científicas para desenvolver suas formulações, dão bastante atenção à biodisponibilidade dos nutrientes presentes em seus produtos. Esse é um sinal de respeito ao investimento que você faz em sua saúde. 

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FAQ – Perguntas frequentes sobre biodisponibilidade 

O que é biodisponibilidade?

A biodisponibilidade é a capacidade de um nutriente de, após ser ingerido, entrar efetivamente na circulação sanguínea e estar disponível para exercer seus efeitos biológicos nas células. Não basta consumir, o corpo precisa conseguir absorver e utilizar o nutriente.

Qual a diferença entre ingerir e absorver um suplemento?

Ingerir é o ato de levar o alimento ou suplemento para dentro do corpo pela via oral, em forma de cápsulas, líquidos ou pós. A absorção é um processo longo, pelo qual os nutrientes presentes no suplemento são capazes de atravessar a parede intestinal e entrar na circulação sanguínea. Muitas vezes, não absorvemos toda a quantidade de nutrientes que ingerimos num suplemento, parte dela acaba sendo eliminada pelo corpo sem trazer benefícios. 

Por que os minerais quelados são melhores?

Minerais em formas tradicionais (como óxidos) têm baixa absorção e competem entre si no intestino. Já os minerais quelados (ligados a aminoácidos, como o magnésio bisglicinato) possuem uma estrutura mais estável, que facilita o transporte intestinal, resultando em uma absorção muito superior. Por isso, pode-se dizer que, em termos de biodisponibilidade, os minerais quelados são melhores. 

Tenho que consumir nutrientes lipossolúveis juntos com gorduras?

Nutrientes lipossolúveis (solúveis em gorduras),  como a Coenzima Q10 e a Vitamina D, são melhor absorvidos quando consumidos junto com refeições que contenham gorduras. A gordura ajuda na solubilização e na formação de micelas, facilitando a absorção no intestino. Mas é importante dar preferência a gorduras boas, como aquelas presentes no abacate, castanhas e azeite, por exemplo, 

Referências bibliográficas:

1. DOI: 10.1152/advan.00094.2009

2.  DOI: 10.2147/JEP.S427818

3. DOI: 10.3390/molecules27123877

4. DOI: 10.1080/10408398.2022.2040418

5. DOI: 10.3390/foods13244115

[6] DOI: 10.1007/s12011-019-01663-0

[7] DOI: 10.3390/antiox9050386